Mil policiais de Belarus tiveram dados vazados por hackers

Ação foi conduzida em retaliação à medida governamental de reprimir com violência as recentes manifestações: país tem protestos desde as eleições presidenciais de agosto

O ambiente volátil de Belarus continua, agora com a exposição de 1.003 policiais da nação do leste europeu conduzida por hackers. Os invasores levantaram e compilaram informações como nomes, datas de nascimento, ranking e departamento de trabalho, entre outros dados dos agentes como represália à medida de repressão violenta do governo contra as manifestações políticas que tomaram conta do país desde o início de agosto.

As informações obtidas foram disponibilizadas publicamente em um arquivo de planilhas do Google Sheets, com a maior parte delas correspondendo a oficiais de alta patente, como tenentes, majores e capitães. Os hackers prometeram vazar ainda mais informações caso a repressão aos manifestantes continue. Do material já divulgado, os hackers também enviaram tudo para a agência de notícias local Nexta, que reproduziu a informação sem editar os dados em seu canal no Telegram, pedindo para que usuários confirmassem a sua autenticidade.

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Policiais prendem manifestante em Belarus. Foto: Radio Free Europe/Radio Liberty via AP

“Se você sabe de fatos relacionados a crimes de pessoas específicas nesta lista, bem como suas informações pessoais (endereços, telefones, números de viaturas, hábitos, amantes/concubinas) – procure o bot [EDITADO]”, disse a agência. A Nexta ganhou popularidade com os manifestantes antigovernamentais como um veículo que comumente divulga para o mundo a violência e brutalidade das autoridades para com participantes dos protestos. “Se as prisões continuarem, então também continuaremos a publicar os dados em uma escala massiva. Ninguém permanecerá escondido por trás de uma balaclava”, adicionou o canal, em referência à máscara que alguns policiais usam em confrontos.

Em um comunicado divulgado à imprensa no último sábado (19), um porta-voz do governo de Belarus confirmou o vazamento das informações, adicionando que pretende encontrar e processar os responsáveis. Pouco depois, porém, o site do Ministério de Assuntos Internos do país foi derrubado por um ataque de negação direta de serviço (DDoS), segundo vários hackers autoproclamados no Twitter.https://0eebbc7bff8d0abfc7c619fd3930d3e7.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-37/html/container.html

Política em Belarus

As manifestações antigovernamentais da Belarus começaram no dia 9 de agosto de 2020, pouco depois do anúncio dos resultados das eleições presidenciais: segundo os números oficiais, o pleito foi vencido pelo atual líder da nação europeia, Alexander Lukashenko, que se reelegeu ao seu sexto mandato consecutivo com 80% dos votos. A líder da oposição e também candidata Sviatlana Tsikhanouskaya acusou o candidato de situação de fraude, afirmando que ela é quem teria vencido a corrida com “pelo menos” 60% dos votos. Tsikhanouskaya acabou deixando o país, temendo por sua vida.

Apesar da truculência e força excessiva por parte da polícia, as manifestações seguem firmes pelos últimos dois meses, com repórteres e usuários das redes sociais publicando, em plataformas globais, vídeos e imagens de prisões aleatórias e violência do atual regime mesmo contra pessoas que sequer participavam dos movimentos. Detidos e seus familiares, por suas vezes, acusam o governo de tortura, estupro, intimidação generalizada e assassinato, culminando em um comunicado emitido pela Organização das Nações Unidas (ONU) de que mais de 450 denúncias de violações aos direitos humanos teriam chegado à entidade.

Segundo especialistas, Lukashenko segue no poder sustentado apenas pela força policial, ao passo que líderes da oposição dentro e fora do país – incluindo Tsikhanouskaya – pedem que a polícia se ausente de suas ações.

Fonte: ZDNet

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