Criminosos lucraram US$ 1,7 bilhão em criptomoedas ao longo de 2020

Como se todos os golpes, fraudes e tentativas de intrusão que reportamos ao longo de 2020 não fossem suficientes, temos agora uma prova numérica do quanto o cibercrime se tornou lucrativo. Dados da consultoria forense Chainalysis apontam que cerca de US$ 1,7 bilhão em criptomoedas foram movimentados no ano passado de forma associada a atividades ilegais pela deep web. Em alguns países, esse tipo de atividade se tornou mais popular — e lucrativa – que o tráfico de drogas.

Países como Rússia, Estados Unidos, Ucrânia e China lideram esse ranking. Chamou a atenção, ainda, o fato de 75% deste volume ter sido movimentado a partir de uma única plataforma, a Hydra. É curioso notar que o sistema opera apenas em países falantes da língua russa, mas ainda assim, acabou se tornando o maior movimentador de criptomoedas do mundo, sendo citado pelos pesquisadores como um grande facilitador do crime digital no leste da Europa, que também é a região com a maior taxa de atividades desse tipo no mundo.

O volume de operações é tamanho que o território foi o único em que as atividades ilícitas aparecem como uma das 10 maiores atividades em movimentação de criptomoedas. Ainda assim, a expectativa da Hydra é obter, em 2021, um aporte financeiro de US$ 146 milhões, a partir de uma oferta inicial de moedas (ICO, na sigla em inglês), para expandir suas operações ao restante do mundo, com foco em nações falantes do inglês. A pandemia atrasou esses planos, que deveriam ter sido iniciados já no ano passado.

Gráfico mostra crescimento contínuo nos lucros oriundos de atividades ilícitas na deep web; mudança para câmbios legítimos, porém, causou redução em total de transações (Imagem: Divulgação/Chainalysis)

Seu principal serviço é o que é chamado de “Uber do tráfico de drogas”. De forma a evitar flagrantes das autoridades e, também, rastreamentos de encomendas a partir do uso de serviços postais, os operadores usam uma tática que soa como saída de um filme de espionagem. Os traficantes realizam os “drops” em locais públicos, com pacotes escondidos cuja localização só é informada aos compradores após a entrega, com os próprios sendo os responsáveis pela retirada.

Fora do leste da Europa, e ao contrário do que poderia se esperar, houve queda no volume de cibercrimes, pelo menos no que toca a movimentação de criptomoedas na deep web. A Chainalysis fala em uma queda no total de compras realizadas em mercados ilegais, acarretando perda de lucros para os bandidos, enquanto o estado de isolamento social fez com que o setor se movimentasse das drogas para as informações roubadas, principalmente dados financeiros que possam ser usados em fraudes.

Nesse sentido, a pesquisa notou um crescimento na adoção de criptomoedas como forma de movimentar fundos, com 46% das transações relacionadas ao crime digital sendo realizada a partir de câmbios legítimos. O aumento também estaria relacionado a uma tentativa, por parte dos bandidos, de pulverizar ganhos oriundos de ataques e campanhas de infecção, como forma de reduzir a chance de rastreamento ou financiar novas atividades.

Por outro lado, esse mesmo movimento causou uma redução no volume de transações oriundas de plataformas disponíveis na deep web, que, assim como os próprios ganhos, vinha apresentando crescimento contínuo. A ideia é que, sim, o cibercrime segue em crescimento e está mais lucrativo do que nunca, com os bandidos, apenas, mudando a forma com a qual lidam com os frutos de suas práticas ilegais.

Fonte: Chainalysis

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