A onda de ataques cibernéticos que a Austrália atribui a um ‘país estrangeiro’

O governo e as instituições da Austrália estão sendo alvo de sofisticados ataques cibernéticos levados a cabo “por um país estrangeiro”, disse seu primeiro-ministro, Scott Morrison, sem identificar qual seria a origem.

Morrison disse que os ataques cibernéticos foram generalizados, em “todos os níveis do governo”, atacando também serviços e empresas essenciais.

Ele não identificou um agente estatal específico e disse que não houve grandes violações de dados pessoais.

Os ataques têm ocorrido há vários meses e agora estão aumentando, disse ele.

Mas ele ressaltou que a atividade “maliciosa” também estava sendo vista globalmente, ou seja, não era exclusiva da Austrália.

Quem foi alvo?

Morrison não mencionou casos específicos, mas disse que os ataques abrangeram “governo, indústria, organizações políticas, educação, saúde, prestadores de serviços essenciais e operadores de outras infraestruturas críticas”.

Ele não deu mais detalhes. Fabricantes de itens de defesa e outras empresas que prestam serviços ao governo estavam entre os que relataram violações de dados anteriormente.

No ano passado, a Universidade Nacional Australiana afirmou ter sido invadida por uma operação sofisticada, que acessou detalhes de funcionários e estudantes.

No início de 2019, os principais partidos políticos e o Parlamento da Austrália foram atingidos por uma “invasão maliciosa” também atribuída a um “sofisticado agente estatal”.

O Parlamento em Canberra
Image captionA rede do Parlamento da Austrália foi alvo de um ataque em 2019

Quem está por trás disso?

Falando na sexta-feira, Morrison disse que as autoridades identificaram o ataque como uma invasão hacker ao Estado “por causa da escala, natureza do direcionamento e plataforma usadas”.

“Não há um grande número de agentes estatais capazes de realizar esse tipo de atividade”, disse ele, sem dar detalhes.

Quando pediram que identificasse um país, Morrison disse que não faria “nenhuma atribuição pública”.

Especialistas em inteligência cibernética há muito vinculam vários ataques hackers na Austrália à China.

Eles dizem que a China é um dos poucos Estados, junto com a Rússia, o Irã e a Coreia do Norte, que tem capacidade para tais ataques – e não são aliados da Austrália. Eles também observam que a espionagem cibernética entre países e até entre aliados é comum.

“Sempre há tensões entre a Rússia e a China. Esses são os principais agentes a que eles [a Austrália] se refeririam”, diz o especialista em segurança cibernética Joshua Kennedy-White à BBC.

A agência de notícias Reuters informou que as agências de inteligência australianas suspeitavam que a China havia levado a cabo a invasão hacker do parlamento em 2019. O governo australiano se recusou a comentar.

Para a correspondente da BBC News Austrália, Shaimaa Khalil, a relação entre a China e Austrália tem ficado tensa nos últimos anos, mas piorou significativamente depois que a Austrália apoiou os Estados Unidos ao pedir uma investigação sobre a origem do coronavírus, detectado pela primeira vez na China no final do ano passado.

Desde então, a China impôs tarifas à cevada australiana, interrompeu as importações de carne bovina e alertou cidadãos e estudantes chineses sobre os riscos de viajar para a Austrália a turismo ou educação por causa de incidentes racistas.

A Austrália também escalou sua retórica. Na semana passada, Morrison disse que não cederia à “coerção” de Pequim.

Na visão de Khalil, é difícil ter 100% de certeza de que a China está por trás dos ataques, mas o que se sabe é que a Austrália escolheu um momento em que o relacionamento com seu poderoso parceiro comercial está em uma situação ruim para anunciar publicamente que está sob ataque cibernético por parte de um “Estado poderoso”.

O que Morrison pediu à população?

O primeiro-ministro disse que as empresas – principalmente as de infraestrutura de saúde e os prestadores de serviços – devem melhorar suas defesas técnicas.

As agências de defesa cibernética frustraram “muitas” tentativas de hackers, mas a proteção exige “persistência e aplicação constantes”, acrescentou.

“Levantamos essa questão hoje não para levar preocupações à mente do público, mas para aumentar sua conscientização”, disse Morrison.

“Nós sabemos o que está acontecendo. Estamos investigando, mas é uma tarefa do dia a dia.”

Fonte: BBC

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